Algumas músicas despertam curiosidade. Outras fazem a gente querer ouvir o trabalho inteiro. Foi o que aconteceu com “Clandestina”, faixa que a cantora e compositora mineira Joana Rochael enviou ao Anota o Som pela Groover e que acabou nos levando até seu primeiro álbum, “Na Boca da Noite”.
Lançado em abril de 2026, o disco reúne 12 faixas autorais que passeiam pela MPB contemporânea, pelo pop, pelo blues e pelas sonoridades latino-americanas. A voz e a interpretação de Joana aparecem como fios condutores de um trabalho atravessado por desejo, afeto, encontros, desencontros e transformação.
“Clandestina” foi a primeira música a nos chamar atenção. Sensual, dançante e cinematográfica, a faixa aproxima o bolero da nova MPB e do pop alternativo, criando uma atmosfera latina muito particular. Percussões, guitarras, sintetizadores e camadas vocais se encontram em torno de um riff de guitarra marcante.
E foi justamente essa mistura que fez a gente querer conhecer mais. A música fala sobre uma relação atravessada por amizade, desejo e distância. O clandestino aparece como aquilo que existe entre o que pode ser dito e o que permanece escondido, criando uma tensão que também aparece na interpretação de Joana.
UM ÁLBUM ENTRE SOMBRA E LUZ
Se “Clandestina” funciona como porta de entrada, “Na Boca da Noite” mostra que Joana tem muito mais a apresentar.
O próprio título do álbum já carrega a atmosfera do trabalho. A imagem representa um momento de passagem, quando o dia ainda não desapareceu completamente e algumas coisas começam a escapar do olhar. É um território entre o visível e o oculto, onde desejo, mistério e risco podem coexistir.
Musicalmente, o disco também transita por diferentes paisagens. Há faixas expansivas, dançantes e sensuais, mas também momentos mais íntimos e contemplativos. Em vez de se prender a um gênero específico, Joana encontra unidade justamente no encontro entre essas diferentes sonoridades e emoções.
E esse cuidado aparece no conjunto. A estética, a sonoridade e o conceito caminham na mesma direção, criando um universo muito bem definido para o álbum. É daqueles trabalhos que despertam vontade de continuar ouvindo para entender melhor o que existe por trás de cada escolha.
QUEM É JOANA ROCHAEL?
Natural de Belo Horizonte, Joana Rochael é cantora, compositora, atriz e educadora de expressão vocal. Formada em Teatro pela UFMG, a artista desenvolve um trabalho que atravessa a música brasileira contemporânea e dialoga com o pop, o blues e as sonoridades latino-americanas, com forte presença da interpretação vocal e da palavra.
Em sua trajetória, Joana também lançou o EP “Peixe, Vida”, em 2023, além de singles e colaborações. Sua música combina delicadeza, força e sensualidade, criando atmosferas próprias que se conectam com o público principalmente pela emoção.
Antes de chegar a “Na Boca da Noite”, a artista também passou por festivais como Mondo, S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L., Mistura Minas, Pulsar e Veludo, onde abriu o show de Juçara Marçal e Kiko Dinucci. Seu trabalho chegou ainda à programação da rádio norte-americana WRIR.
“Na Boca da Noite” é, agora, um passo maior nessa construção. E, depois de duas escutas, fica aquela sensação boa de ter encontrado um trabalho que ainda tem muito para revelar.
Joana Rochael é uma dessas descobertas que começam com uma música e terminam em um álbum inteiro na playlist. E “Na Boca da Noite” merece esse play.


