“We The People Are The Parking Lots”: esperança e inquietude no disco de estreia do trio

Muito do que falo aqui em cada resenha de discos independentes gira em torno de esperança. A cena independente brasileira traz esperança sobre um cenário musical diferente, traz esperança sobre artistas e bandas que pensam música e arte de forma diferente. E não que o passado tenha sido melhor ou pior, mas diferente.

Essa visão coincide com a faixa-manifesto do primeiro disco de estúdio do trio The Parking Lots: “Algo de novo há de surgir, embora ainda seja impossível dizer o que será.”

Na coluna de hoje, vou te mostrar alguns dos aspectos que mais me surpreenderam ao ouvir o disco e confirmaram a minha esperança na cena independente brasileira.

Sobre a banda

Formada em 2019, a banda começou como um projeto de gravações e, entre EPs e singles, consolidou sua formação atual em 2024. 

Da esquerda para direita: Eduardo Zampolo, Felipe Bueno e Vini Pardinho.

Felipe Bueno (voz e guitarra), Eduardo Zampolo (baixo e voz) e Vini Pardinho (bateria) constroem sua sonoridade a partir do indie rock do Superchunk, o punk melódico do Hüsker Dü, a ironia de Elvis Costello e o lirismo dos Weakerthans.

Como pessoa que admira e respeita muito o processo criativo de composição de um disco, quando encontro um artista que consegue produzir um bom trabalho (bom em todos os sentidos) em uma língua que não é a sua nativa, confesso que fico ainda mais fascinada.

E foi essa a sensação que tive ao conhecer o trabalho do grupo. 

Um disco de uma banda que é consciente de si

Algo que pude ter certeza ao final da audição de “We The People Are The Parking Lots” é que o trio The Parking Lots tem plena consciência do território que quer ocupar. E isso fica bem claro também na comunicação que o grupo faz em seu Instagram.

O disco foi gravado, produzido, mixado, masterizado e lançado pela própria banda – com o auxílio do engenheiro de som Luciano de Setti.

Cada faixa tem um objetivo, um motivo, um porquê. E, no final, o conjunto da obra é um disco que sintetiza de forma surpreendentemente coesa a visão artística de uma banda que carrega muitas experiências e muitas referências diferentes entre si.

Seja contando a história de punks adolescentes ou falando sobre a luta de classes constantemente presente na história da humanidade, The Parking Lots conseguiu criar um manifesto bem lapidado da sua visão de mundo.

Se você já curte a sonoridade do indie rock dos anos 90 e do punk rock melodioso dos anos 70 e 80, esse álbum vai te lembrar de bons momentos, com certeza. Caso não tenha tanta familiaridade com o estilo, dê uma chance para se deixar levar pela atmosfera enérgica (e irônica) que a banda cria – isso fica claro em “Young In The Park” e “The Light!”.

Meu veredito não poderia deixar de ser positivo. Mas com uma pitada de inquietude por aquilo que ainda não sabemos que está por vir.

Ficha Técnica:

  • Lançado em: 20 de novembro de 2025
  • 10 Títulos | 29m 33s
  • Gravado em: Estúdio Divã da Alma (São Paulo/SP – Brazil)
  • Mixagem e masterização: Felipe Bueno e Luciano de Setti
  • Arte da capa: Rafael Ramos
  • Foto da capa: César Passa Mal

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