Tem disco que a gente termina de ouvir e pensa: “ok, gostei”. E tem aqueles que fazem a gente escutar sem parar no repeat. Tropicana Tempestade, álbum de estreia de JUMA, pertence à segunda categoria.
Lançado em 10 de novembro de 2025, o disco reúne dez faixas e apresenta uma artista que parece saber exatamente o que quer dizer e, principalmente, como quer soar.
O título já entrega um pouco do que vem pela frente. Existe uma espécie de contradição gostosa em “Tropicana Tempestade”: de um lado, o calor, a leveza e a atmosfera tropical; do outro, a intensidade e o movimento de uma tempestade. E é justamente nessa mistura que JUMA constrói sua identidade.
A voz da cantora é um dos grandes destaques do trabalho. Leve e potente ao mesmo tempo, ela passeia pelas faixas com uma naturalidade que faz o disco ser fácil de ouvir sem ser previsível. A sensação é de estar diante de uma MPB contemporânea que conhece suas referências brasileiras, mas não precisa ficar presa a elas.
A faixa-título é um dos momentos que mais sintetizam essa proposta. Mas o álbum não depende de um único destaque, todas as dez músicas ajudam a construir um trabalho bastante coeso.
E tem um detalhe que aproxima ainda mais o álbum da nova cena brasileira: a presença de integrantes d’Os Garotin. Leo Guima participou das composições de “Meu Jeitinho” e “Viro Fera”, e Cupertino em “Se Decida”, “Coração na Boca” e “Molho e Dendê”, faixa em que divide vocais com JUMA.
Para mim, é uma das descobertas mais felizes de 2026. Mesmo tendo chegado às plataformas no fim de 2025, “Tropicana Tempestade” tem aquela qualidade dos discos que parecem não pertencer a uma estação específica. Dá para imaginar a faixa-título tocando no verão, numa viagem para a praia ou simplesmente naquele dia em que tudo o que você quer é colocar uma música brasileira gostosa para tocar.
JUMA entrega, logo em seu primeiro álbum, um trabalho seguro, autoral e cheio de personalidade. Uma estreia que merece ser anotada e ouvida mais de uma vez.


