Tem músicas que são feitas para serem cantadas em voz alta. Com potência. Já outras se encaixam mais para reflexão. E ainda tem aquelas que podem ser uma mistura dos dois.
Essas características – e muitas outras – eu pude identificar ao ouvir “Tudo O Que Eu Carrego”, o primeiro álbum de estúdio da banda Franciscos, do interior de São Paulo.

Com 10 faixas, o disco consegue ser protagonista de si mesmo, e é um daqueles que facilmente podem ser trilha sonora para diferentes momentos da vida.
Saiba mais sobre esse conceito lendo a coluna de hoje abaixo!
Um disco que nasceu do coletivo
“Tudo O Que Eu Carrego” é fruto de um movimento coletivo. Movimento que traduz o essencial da música especialmente independente: a arte consegue se materializar na realidade muito por conta da comunidade em torno dela que reconhece e legitima seu valor.

Com produção de Teago Oliveira (Maglore), o disco carrega 10 faixas criadas a muitas mãos. A campanha conseguiu mobilizar amigos, fãs e parceiros que, além de gostarem de como a banda soa, confiam naquilo que querem comunicar.
Curiosamente, mesmo composto por diferentes artistas – que consequentemente carregam diferentes visões de mundo – o álbum soa muito coeso. Um lançamento que é a prova viva de que, quando unida e colaborativa, a cena independente faz nascer trabalhos únicos.
O fim de um ciclo sobre uma ótica diferente
A temática que se sobressai no álbum é o encerramento. Encerramento de uma amizade, de um relacionamento, o que seja. Mas, o mais interessante é que as faixas conseguem abordar os diferentes pontos de entendimento para que essa decisão seja tomada.
Você pode refletir, mudar de ideia, ter uma recaída, pensar em voltar atrás. Mas quando o momento chegar, há a possibilidade de lidar com o fim de forma diferente. As faixas não provocam que o melhor é sempre ser positivo, mas sim ser franco. Franco com o outro e consigo mesmo.
Como o tom é confessional, em primeira pessoa, você se identifica quase que imediatamente. Todo mundo já passou pela situação da música “Até Que Foi Bom”. E o agridoce é um sabor que é bem presente no disco. A letra é melancólica, mas a melodia é “feliz”, como em “Era Você”.
Ao mesmo tempo que são complexas, as músicas são facilmente digeridas, assimiladas. Eu mesma já decorei muitas por aqui – e não paro de cantarolar sem perceber.
Você tem vontade de cantar junto porque se enxerga na letra. Você tem vontade de cantar junto porque soa bem. Você tem vontade de cantar junto porque, no final das contas, está falando consigo mesmo.
Estranhei, refleti e me desmontei
Ao final da audição, me dei conta que percorri por um caminho que passou por três estágios: primeiro, o estranhamento de estar me identificando com temas que – na minha cabeça – eu supostamente tinha superado; segundo, a reflexão de assumir que, talvez, tenham assuntos que ainda não foram tão bem resolvidos assim; e terceiro, consegui me desmontar e reconhecer que, sim, eu não sou a pessoa mais esclarecida do mundo.
Pode ser que você que ainda não ouviu passe por essas etapas, ou não. Ao mesmo tempo que é facilmente identificável, o disco é particular. Ele consegue ativar elementos únicos de cada ouvinte.
E é por isso que o título faz tanto sentido. “Tudo O Que Eu Carrego” não traz apenas aquilo que os artistas envolvidos na produção e composição, mas também o que eu e você carregamos.
O disco é coletivo em todos os aspectos, do início ao fim. Do nascimento à sua propagação.
“Tudo O Que Eu Carrego” está disponível em plataformas digitais. Ouça agora!
Ficha técnica:
- Lançado em: 12 de novembro de 2025
- 10 Títulos (31m 47s)
- Arte da capa: Thiago Barletta
- Fotografia: Otávio Pacheco
- Produção: Teago Oliveira
- Mixagem e masterização: Otávio Bonazzi
- Lançamento: Independent


