Pureza Selvagem: conheça Sofia Pitta e seu álbum de estreia

Lançado no dia 3 de setembro, “Pureza Selvagem” é o disco de estreia de Sofia Pitta, cantora e compositora baiana de apenas 22 anos. E, logo de cara, o álbum deixa uma impressão importante: estamos diante de uma artista que sabe muito bem o que quer dizer e, principalmente, como quer ser ouvida.

O Anota o Som foi convidado para a audição do disco e foi muito especial escutar as nove faixas autorais em um espaço compartilhado com outras pessoas. Sou muito fã de discos e, para mim, um bom álbum precisa ter personalidade. Precisa parecer um trabalho inteiro, e não apenas uma coleção de músicas. Sofia reúne algumas das coisas que mais gosto de encontrar em um lançamento: identidade sonora e estética, boas composições e uma voz potente, daquelas que conseguem chamar atenção onde estiverem.

Na própria audição, a artista deu uma palinha ao vivo e posso afirmar: ela tem gogó!

UMA ARTISTA BAIANA ATÉ O ÚLTIMO FIO

Pureza Selvagem” é um disco solar e cheio de movimento. Sofia parte da MPB, sua principal raiz musical, mas abre espaço para pagodão, samba, arrocha e reggae. O resultado é uma mistura que carrega Salvador e a Bahia para dentro do álbum sem transformar isso em mero cenário.

É um álbum que conta muito da minha história, do meu território, Salvador, Bahia, e da forma como eu enxergo a vida”, afirma a artista.

E talvez seja justamente essa conexão com o território que faça o disco soar tão vivo. Sofia não parece interessada em escolher apenas uma referência ou caber em uma única definição. Ela mistura, experimenta e deixa que diferentes lados da sua identidade apareçam ao longo das faixas.

O próprio título do álbum parte dessa ideia. “Pureza Selvagem” pode parecer contraditório, mas é justamente aí que está a graça. Afinal, ser humano também é ser contraditório. Podemos ser puros e selvagens, intensos e leves, profundos e divertidos. Não precisamos escolher apenas um lado.

ÁGUA, AMOR E LIBERDADE

Depois de reunir as composições que deram origem ao álbum, Sofia percebeu que algumas ideias atravessavam diferentes histórias. Duas delas se tornaram centrais na narrativa: a água e o amor.

A água aparece como símbolo de fluidez, emoção e transformação. Já o amor surge não apenas como sentimento, mas também como uma forma de enxergar o mundo e uma escolha política.

Eu acredito que falar de amor é um ato político. Sendo uma mulher do território que eu sou, com a história que eu tenho, contar histórias sobre o amor a partir do meu olhar é muito importante”, explica.

Essa perspectiva ajuda a entender porque “Pureza Selvagem” não é apenas um disco sobre sentimentos. É também sobre liberdade, desejo, prazer, vulnerabilidade e identidade. E tudo isso aparece dentro de uma estética que acompanha a proposta musical.

Todas as faixas ganharam visualizers, ampliando o universo criado por Sofia: confira todas as produções no canal oficial da artista. A linguagem visual passeia por referências brasileiras, baianas e latinas, com muito calor, sensualidade e uma atmosfera de verão. O sol, inclusive, foi uma das palavras que guiou a construção estética do projeto.

A ideia era levar essa sensação solar até mesmo para as faixas que atravessam sentimentos mais melancólicos. Em vez de transformar a tristeza em escuridão, Sofia permite que diferentes emoções coexistam dentro da mesma atmosfera.

E acho que essa é uma das coisas mais interessantes de “Pureza Selvagem”: o disco não tenta esconder suas contradições. Ele parece justamente querer abraçá-las.

UM NOME PARA ANOTAR

Com “Pureza Selvagem”, Sofia Pitta apresenta um primeiro álbum que tem personalidade, identidade baiana e uma proposta estética bem definida. Mais do que mostrar as referências que formaram sua trajetória, a artista começa a construir, aqui, o seu próprio caminho.

E, se a primeira impressão já é essa, vale ficar de olho no que vem pela frente!

Sofia Pitta é um nome para anotar.

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