“Esquina do Sol”: Mari Froes encontra luz entre fins e recomeços em disco de estreia

Eu conheci Mari Froes por “Moça” e “15b”, parceria com Rodrigo Alarcon, lá em 2019. Talvez por isso tenha sido tão surpreendente descobrir que “Esquina do Sol” é apenas o primeiro álbum da cantora e compositora mineira.

Digo isso porque, ouvindo as 12 faixas do disco, a sensação é de estar diante de uma artista que já encontrou uma maturidade muito particular. Lançado em 31 de julho de 2026, o álbum percorre diferentes sentimentos, lugares e experiências sem perder a identidade que Mari vem construindo ao longo de sua trajetória.

“Dezenove Verões” abre o disco de maneira majestosa. É uma daquelas primeiras faixas que imediatamente estabelecem o clima do que está por vir. A partir daí, Mari constrói uma sequência que passeia pelo samba, pela percussão e diferentes brasilidades, sempre acompanhada por uma voz que é, sem exagero, um dos maiores encantos do álbum.

“Reza Braba” é a minha faixa favorita. A composição é divertida e identificável, enquanto a sonoridade traz um sambinha gostoso que engrandece ainda mais a música.

E se existe uma palavra que parece atravessar “Esquina do Sol”, talvez seja movimento. Em entrevista, Mari contou que o disco nasceu a partir de temas como fins, recomeços, viagens, aprendizagens e experiências pessoais. O próprio título representa, para ela, esse momento em que a vida muda de direção e, de repente, aparece uma nova luz.

“Rio Lua”, primeiro single apresentado antes do álbum, já dava algumas pistas dessa atmosfera. Inspirada pelo período em que Mari passou no Rio de Janeiro para gravar, a música transforma uma noite de lua cheia em uma espécie de romance de verão, misturando ritmos brasileiros com referências contemporâneas.

Mas talvez o mais bonito de “Esquina do Sol” seja justamente a facilidade com que Mari transforma sentimentos complexos em música prazerosa de ouvir. Não é preciso conhecer a história por trás de cada faixa para se deixar levar por elas.

E, claro, existe A VOZ. Daquelas que fazem a gente interromper qualquer atividade para prestar atenção.

Esquina do Sol” é um disco sobre atravessar caminhos, encontrar novas esquinas e, quem sabe, descobrir um pouco de luz depois delas. É também uma ótima prova de que a nova MPB brasileira continua encontrando maneiras muito bonitas de se reinventar.

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